
A Oficina existe desde 2007, na Escola Maria José Mabilde, na Ilha da Pintada.
Fabiano Ilha

De agosto à dezembro de 2009, foi realizado o projeto Mãos no Barro na Ilha da Pintada. O projeto trabalha as técnicas de cerâmica com crianças e adolescentes da comunidade da ilha. Durante os dias da Oficina de Arte, este público foi orientado na estruturação de formas bi e tridimensionais a partir dos processos de construção cerâmica: maciço-ocagem, placas, rolos, etc.
A ocagem é uma das técnicas de construção cerâmica mais antigas. Porque evitamos as temidas bolhas de ar que podem existir no meio da massa; elas, ao se expandirem com o calor do fogo e não encontrarem uma saída podem provocar a quebra da peça. Para o corte da peça, a maior parte do ângulo deve estar na horizontal e pode se cortar a peça com um fio de nilon, pois a gravidade ajuda na fixação e para facilitar o encaixe posterior. Cortar a peça mais ou menos de 24 a 48 horas depois de pronta, dependendo do tamanho da peça e das condições climáticas. não se recomenda cortar quando ela é muito recente, pois corre o risco de deformá-la. No momento da ocagem, as paredes da peça devem ser deixadas na mesma espessura. Após terminar a ocagem, as paredes onde a peça foi cortada devem ser costuradas e isso pode ser feito com uma faca de serra ou qualquer objeto que produza este tipo de textura. Esta textura ajuda na colagem das duas partes. A colagem acontece com o uso de barbotina que ajuda na fixação das duas partes (barbotina é uma argila com consistência pastosa). Por fim, faça um pequeno orifício que transpasse a parede até o interior da peça, pode ser pequeno mesmo.
Os vasos geralmentes são feitos com a ajuda de um torno cerâmico. Os indigenas que viviam no Brasil antes de Pedro Alvares Cabral chegar, não conheciam o torno. Através da técnica de fazer rolinhos, foi possivel fabricar seus próprios vasos. Apesar de ser uma técnica muito primitiva, ainda é usada nos dias de hoje. Um ceramista experiente nos rolinhos, consegue criar vasos incriveis. Além de vasos, também é possivel fazer garrafas, potes e outras coisas usando esta técnica.
É provavel que o homem tenha descoberto a cerãmica ao observar a transformação do barro ao fogo. Imagine que alguém tenha feito uma fogueira e perto desta, tinha um pouco de barro. O barro próximo ao fogo, foi cozinhado aos poucos até se tornar muito resistente. Após ver esta transformação, pode ter percebido que poderia criar objetos que lhe poderia ser útil.
Foi em
As rodas também eram utilizadas pelos oleiros (artesãos que trabalham com argila) para girar velozmente o barro e fazer belos vasos e moringas com base perfeitamente redonda.
Para se defenderem dos ataques inimigos, a pessoas faziam suas casas próximas umas das outras e levantavam muros de barro cozido. Daí foram erguidas as primeiras cidades.
Os primeiros sinais de escrita foram feitas em placas de barro. A escrita era cuneiforme, ou seja, em forma de cunha. com um palitinho, a pessoa cunhava os símbolos na argila ainda macia.
Com sua imaginação sem fim, o ceramista modela e cria na argila. Criando assim, sua própria cultura.
Pequena, frágil, com essa modéstia característica dos verdadeiros artistas, que não posam no ângulo perfeito da câmera, kyoko nos deleita com esta nova amostra da sua arte produto de muitos anos de aprendizagem e amor, naqueles que ela soube interpretar o majestoso silencio da nossa natureza.
E que melhor cenário que o nosso país carregado de telúricas mensagens para aqueles que “sabe olhar e sentir”. Kyoko sente a “respiração em seus frutos, nas suas criaturas, na sua cerâmica toda”. Ela transcende a simples contemplação e se faz dona do espírito da nossa tradição para sonhar com ela, para difundir-se em seu sopro criativo e instaurar um novo equilíbrio entre seu ser e a natureza.
Imagino kyoko com suas pequenas mãos recriando a vida dos nossos antigos Vicús, o barro deslizando-se dócil adquirindo formas, texturas e cores. Kyoko não se detêm. Ela busca a perfeição, o retrato exato de não sabemos que misteriosa imagem que já esta impressa no seu espírito e que ao nascer se torna uma.
O curso sinuoso de nossos rios, as alturas e baixadas de nossas montanhas, as cores de nosso céu com suas espessas nuvens, transitam na obra de kyoko,viva, intactas. O tempo não existe, o ontem, o hoje e o amanhã se estreitam num abraço respeitoso, a artista com essa peculiar visão que tem os verdadeiros criadores, lhes busca acomodação, os entrelaça criando um mundo paralelo onde nos conta a história de um espaço mágico.
Entre traços firmes e evocações respeitosas esta artista japonesa consegue ingressar no mistério da terra, furta suas cores, as transforma. Nascem suas criaturas e kyoko com simplicidade sem pressa nos entrega como uma homenagem silenciosa este nosso Peru que só pode dizer-lhe: obrigado kyoko por tuas mãos privilegiadas por tua sensibilidade, por amar a nossa terra e ter sabido apreciar sua beleza.
Otilia Navarrete
Escritora
Lima 2007.